Sobre nós

Uma história de amor por Florianópolis.

A história do Floripa Mil Grau começa muito antes da existência do Facebook. Um garoto, filho de um funcionário público e de uma professora, traçou uma trajetória que parecia guiá-lo até a criação da página. Ao longo do caminho, viveu em bairros de Florianópolis e São José, chegando a uma estatística incrível: aos dezesseis anos, já havia se mudado por dezoito vezes. É possível afirmar com absoluta certeza: não fossem essas mudanças, e o fato de ter vivido um pouco em cada bairro da cidade, não existiria a criatividade e inspiração para desenvolver o Floripa Mil Grau. E era quando morava no Itacorubi – e estudava em Barreiros (São José) – que ocorreu a ideia de criar a página.

Tudo começou em uma das já conhecidas greve dos funcionários do transporte coletivo de Florianópolis, em 2012. Na época, Vitor dependia dos ônibus para chegar até a escola – onde cursava o ensino fundamental. Sem ter como chegar na aula, restou apenas ficar em casa, com aquela rotina atarefada de um adolescente de quatorze anos: nada para fazer. Porém, é no ócio que surgem as melhores ideias.

Como sempre, a imprensa divulgava imagens dos grevistas, suas assembleias, decisões e tudo mais. Porém, naquele ano, as imagens estavam estranhamente divertidas. Eram cliques de funcionários do transporte em situações engraçadas, com poses e expressões que davam interpretação para inúmeras brincadeiras. Naquela época, Vitor acompanhava diversas páginas de memes – e uma delas em especial chamava sua atenção. Era o “Montagens Mil Grau”, uma página que possuía fonte única e erros de português característicos. Veio, então, a ideia: pegar as imagens da greve, e transformar em memes com as características do Montagens Mil Grau.

A princípio, começou apenas enviando os memes para amigos, que pediram que ele postasse no Facebook para que fosse possível compartilhar. O resultado na rede social gerou surpresa: pessoas desconhecidas curtiram a imagem, compartilharam, comentaram – e ali Vitor viu algo que só entenderia completamente cinco anos mais tarde: não existia sequer uma página de conteúdo humorístico regional – fosse em Santa Catarina ou em Florianópolis. Decidiu, então, criar uma página. Mas que nome dar? Como fazer? O que fazer? Decidiu manter a fonte do Montagens Mil Grau, e os erros de português característicos. Pediu autorização para os donos da página que o inspirou para usar o termo “Mil Grau” e, ali, no quarta da casa do pai no Itacorubi, nasceu aquilo que viria ser o veículo digital mais influente de Santa Catarina: o Floripa Mil Grau.

Foram dois meses fazendo meme todo santo dia. Naquela época, o Facebook ainda era primário, não possuía nem 10% das funções e ferramentas que tem hoje, não era possível sequer programar posts. Mas Vitor seguiu firme e, por dois meses, produziu o conteúdo. A greve criou uma onda viral, atraiu público para a página e manteve engajamento durante um bom tempo. O fato é que com o fim da greve, o assunto “quente” saiu de pauta. As postagens sobre outros assuntos, que pegaram a onda de público da greve, já não rendiam tanto quanto antigamente e o desânimo bateu. Todos estes fatores, somados a preocupação do pai com processos, fizeram o garoto desistir, por ora, de fazer a página acontecer.

Não há nada que uma birra adolescente não possa resolver. Depois de meses sem postar, e sendo cobrado pelos amigos, ele estava decido a voltar a produzir conteúdo, mas uma coisa principal o repreendia: as restrições do pai quanto as publicações. A solução foi simples: esconder do o que estava fazendo e pesquisar sobre a cidade, seus assuntos, bairros, cidades vizinhas e história. Entrou então de cabeça no seu objetivo principal: fazer sucesso na internet com o Floripa Mil Grau. Vitor criou então uma seleção para escolher um novo administrador a auxiliá-lo. Com a entrada do novo membro, tudo estava pronto para trilhar o caminho de crescimento.

Foram meses de novos conteúdos sendo produzidos, o período eleitoral da cidade com a acirrada disputa entre César Souza Júnior x Gean Loureiro gerou uma onda de novos conteúdos a serem feitos. A eleição daquele ano tornou-se então a segunda onda viral do Mil Grau no seu ano de criação: os memes com políticos, e críticas sociais a problemas da cidade viralizaram no Facebook, e trouxeram um público ainda maior para a página.

Com o fim da eleição, o Mil Grau já possuía um público grande – quase que em sua totalidade de Florianópolis, e atingiu um status de veículo regional. Mas ainda faltava algo, que atingisse uma maior parcela da população. Foi então que surgiu a terceira onda viral do Floripa Mil Grau: os atentados a ônibus em Florianópolis e Santa Catarina. Aquele que foi uma das maiores tragédias e piores momentos da história do estado, tornou-se um divisor de águas na história que estamos contando. Divisor de águas porque colocou o Floripa Mil Grau em um ponto central: fornecer informação para a população. As notícias sobre os ataques moldaram o conteúdo da página ao longo do mês, e geraram uma onda viral de engajamento e novas curtidas. Ao fim dos ataques, o Floripa Mil Grau tinha entrado de vez no cotidiano da cidade – o trabalho agora seria para manter essa relevância.

Foi aí que Vitor foi atrás de duas pessoas que seguia no Twitter: Joylson e Motora. Ambos possuíam perfis de relevância na rede, e faziam humor sobre a cidade. Com o contato, ambos aceitaram fazer parte do Floripa Mil Grau e produzir conteúdo para a página – ao fim de 2012, então, a página já tinha quatro membros na sua equipe.

As três ondas virais de 2012 foram o pilar fundamental do Floripa Mil Grau.

A partir de 2013 as coisas caminharam da forma que deveriam. O conteúdo manteve-se, dessa vez sem interrupções, e com resultados virais volta e meia. Um dos membros da equipe, o primeiro depois de Vitor, afastou-se da página. Ficaram apenas Vitor, Joylson e Motora. Ao longo do ano a onda de “Cidades Mil Grau” se espalhou pelo Brasil, surgiram milhares de perfis sobre milhares de cidades, era real: o humor regional tinha virado moda – e o Floripa Mil Grau era a referência.

Os números da página continuaram subindo, e o conteúdo da página foi ficando cada vez mais aprimorado e específico, ou seja, cada vez mais manezinho. O Floripa Mil Grau fez paródias, vídeos, criou conteúdo sobre Florianópolis e para Florianópolis. O conteúdo existia e era bom, mas ainda não gerava dinheiro algum. Alguns anúncios pontuais eram realizados, o primeiro deles foi com boate 1007, outros com eventos/shows. Mas nada duradouro ou lucrativo o suficiente para manter uma empresa.

Somente em 2015 surgiu a empresa que administraria comercialmente a página. Vitor se emancipou civilmente dos pais, e criou o CNPJ que comandaria o Floripa Mil Grau. Motora assumiu a parte comercial e a partir dai começou a trajetória empresarial do Floripa Mil Grau.

Os números não pararam de subir, com anunciantes e estrutura a página conseguiu montar uma equipe remunerada para produção de conteúdo. O crescimento ficou visível com os números do ano de 2018: foram mais de 188 mil novas curtidas, +300 milhões de alcance, +1 bilhão de impressões, +50 milhões de engajamento (dados do aplicativo Reportei). O Floripa Mil Grau também foi considerado o perfil de rede social mais influente da Grande Florianópolis, segundo estudo da agência Cativeiro. Também em 2018 a página lançou sua versão impressa – uma espécie de revista distribuída gratuitamente nas principais regiões de Florianópolis – contendo os memes mais curtidos de cada mês. Já foram feitas sete edições, o objetivo central é produzir uma mensalmente.

Em 2019, o Floripa Mil Grau atingiu a marca de mais de 700 mil curtidores no Facebook, +300 mil seguidores no Instagram e +90 mil seguidores no Twitter. Também inaugurou sua sede no centro da cidade de Florianópolis, e já soma 12 colaboradores remunerados – junto com a incrível marca de mais de 300 empresas atendidas de Florianópolis região ao longo da sua história.

Com polêmicas, noites em claro, e milhões de risadas, o Floripa Mil Grau consagrou-se como patrimônio de Florianópolis, com a missão de levar a cultura mané as novas gerações. Hoje, o grupo é conhecido por todos na cidade, e tornou-se um canal de comunicação de grande força no estado. Já teve bloco de carnaval, festa, shows em teatro, parceria com veículos tradicionais, edição impressa e, acima de tudo, recebe diariamente o carinho da população. O Mil Grau abraçou Florianópolis, e hoje Florianópolis abraça o Floripa Mil Grau. Conteúdo regional, essa é a nossa paixão.